Música Reviver (xote)Composição de Rômulo Rostand, interpretação do autor. Arranjo e produção musical de DPW Estúdio.
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domingo, 8 de janeiro de 2017
terça-feira, 4 de agosto de 2015
E AGORA JOSÉ - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Voz de Rômulo Rostand
E agora, José?
A festa acabou
A luz apagou
O povo sumiu
A noite esfriou
E agora, José?
E agora, Você?
Você que é sem nome, que zomba dos outros
Você que faz versos, que ama, protesta
E agora, José?
domingo, 17 de maio de 2015
A TRISTE PARTIDA - PATATIVA DO ASSARÉ ( Antônio Gonçalves da Silva )
Voz de Rômulo Rostand
Setembro passou, com oitubro e novembro
Já tamo em dezembro.
Meu Deus, que é de nós?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.
A treze do mês ele fez a experiença,
Perdeu sua crença
Nas pedra de sá.
Mas nôta experiença com gosto se agarra,
Pensando na barra
Do alegre Natá.
Já tamo em dezembro.
Meu Deus, que é de nós?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.
A treze do mês ele fez a experiença,
Perdeu sua crença
Nas pedra de sá.
Mas nôta experiença com gosto se agarra,
Pensando na barra
Do alegre Natá.
HISTÓRIA DE UM CÃO ( VELUDO ) - LUIZ GUIMARÃES
Voz de Rômulo Rostand
Eu
tive um cão. Chamava-se Veludo:
Magro, asqueroso, revoltante, imundo;
Para dizer numa palavra tudo,
Foi o mais feio cão que houve no mundo.
Recebi-o das mãos dum camarada,
Na hora da partida. O cão gemendo
Não me queria acompanhar por nada:
Enfim - mau grado seu - o vim trazendo.
O meu amigo, cabisbaixo, mudo
Olhava-o...o sol nas ondas se abismava...
"Adeus!" - me disse, - e ao afagar Veludo,
Nos olhos seus o pranto borbulhava
Magro, asqueroso, revoltante, imundo;
Para dizer numa palavra tudo,
Foi o mais feio cão que houve no mundo.
Recebi-o das mãos dum camarada,
Na hora da partida. O cão gemendo
Não me queria acompanhar por nada:
Enfim - mau grado seu - o vim trazendo.
O meu amigo, cabisbaixo, mudo
Olhava-o...o sol nas ondas se abismava...
"Adeus!" - me disse, - e ao afagar Veludo,
Nos olhos seus o pranto borbulhava
sábado, 27 de abril de 2013
PORQUE LULU BERGANTIM NÃO ATRAVESSOU O RUBICON - JOSÉ CANDIDO DE CARVALHO
Voz de Rômulo Rostand
Lulu Bergantim veio de longe, fez dois discursos, explicou por que não atravessou o Rubicon, coisa que ninguém entendeu, expediu dois socos na Tomada da Bastilha, o que também ninguém entendeu, entrou na política e foi eleito na ponta dos votos de Curralzinho Novo. No dia da posse, depois dos dobrados da Banda Carlos Gomes e dos versos atirados no rosto de Lulu Bergantim pela professora Andrelina Tupinambá, o novo prefeito de Curralzinho sacou do paletó na vista de todo mundo, arregaçou as mangas e disse:
— Já falaram, já comeram biscoitinhos de araruta e licor de jenipapo. Agora é trabalhar!
— Já falaram, já comeram biscoitinhos de araruta e licor de jenipapo. Agora é trabalhar!
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quarta-feira, 24 de abril de 2013
O OLHAR DO THEOBALDO (um encontro com um pedinte lembrando a história de um cão) - RÔMULO ROSTAND
Voz de Rômulo Rostand
Outro dia estava andando pelo centro da cidade onde moro, coisa que gosto muito de fazer, e vi um homem sentado na calçada num choro seco. Uma expressão de desânimo e desolação de dar dó. Era um pedinte, já idoso. A expressão daquele homem me comoveu, mas, muito mais do que isso, trouxe a tona uma passagem que eu carregava na memória adormecida há muito tempo.
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sábado, 20 de abril de 2013
MEU IDEAL SERIA ESCREVER... - RUBEM BRAGA
Voz de Rômulo Rostand
Meu ideal seria escrever
uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa
cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse
a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E
então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para
contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem
alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como
um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça
reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio
riso, e depois repetisse para si própria - "mas essa história é mesmo
muito engraçada!".
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