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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A PESSOA ERRADA - LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO


Voz de Ricardo Moresi


Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa, que se você for parar pra pensar, é na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas.Mas nem sempre precisamos das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

E AGORA JOSÉ - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Voz de Rômulo Rostand

E agora, José?
A festa acabou
A luz apagou
O povo sumiu
A noite esfriou

E agora, José?
E agora, Você?
Você que é sem nome, que zomba dos outros
Você que faz versos, que ama, protesta
E agora, José?

sábado, 20 de junho de 2015

DESIDERATA (VOCÊ É FILHO DO UNIVERSO) - MAX EHRMANN


Voz de Ricardo Moresi

Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio. Tanto que possível, sem humilhar-se, viva em harmonia com todos os que o cercam. Fale a sua verdade mansa e calmamente e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes – eles também tem sua própria história. Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem nosso espírito. Se você se comparar com os outros você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior e alguém superior a você.

domingo, 17 de maio de 2015

A TRISTE PARTIDA - PATATIVA DO ASSARÉ ( Antônio Gonçalves da Silva )

Voz de Rômulo Rostand

 
Setembro passou, com oitubro e novembro
Já tamo em dezembro.
Meu Deus, que é de nós?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.

A treze do mês ele fez a experiença,
Perdeu sua crença
Nas pedra de sá.
Mas nôta experiença com gosto se agarra,
Pensando na barra
Do alegre Natá.

HISTÓRIA DE UM CÃO ( VELUDO ) - LUIZ GUIMARÃES

Voz de Rômulo Rostand 


Eu tive um cão. Chamava-se Veludo:
Magro, asqueroso, revoltante, imundo;
Para dizer numa palavra tudo,
Foi o mais feio cão que houve no mundo.

Recebi-o das mãos dum camarada,
Na hora da partida. O cão gemendo
Não me queria acompanhar por nada:
Enfim - mau grado seu - o vim trazendo.

O meu amigo, cabisbaixo, mudo
Olhava-o...o sol nas ondas se abismava...
"Adeus!" - me disse, - e ao afagar Veludo,
Nos olhos seus o pranto borbulhava

quinta-feira, 27 de junho de 2013

TRAGÉDIA NO LAR - CASTRO ALVES

Voz de Ricardo Moresi


(...)
Eu sou como a garça triste
Que mora à beira do rio,
As orvalhadas da noite
Me fazem tremer de frio.

Me fazem tremer de frio
Como os juncos da lagoa;
Feliz da araponga errante
Que é livre, que livre voa.

terça-feira, 14 de maio de 2013

CÂNTICO NEGRO - JOSÉ RÉGIO (José Maria dos Reis Pereira)

Voz de Ricardo Moresi


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
 

A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde

sábado, 11 de maio de 2013

PARA SEMPRE (Homenagem às mães) - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Voz de Ricardo Moresi

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

sábado, 27 de abril de 2013

PORQUE LULU BERGANTIM NÃO ATRAVESSOU O RUBICON - JOSÉ CANDIDO DE CARVALHO

Voz de Rômulo Rostand

Lulu Bergantim veio de longe, fez dois discursos, explicou por que não atravessou o Rubicon, coisa que ninguém entendeu, expediu dois socos na Tomada da Bastilha, o que também ninguém entendeu, entrou na política e foi eleito na ponta dos votos de Curralzinho Novo. No dia da posse, depois dos dobrados da Banda Carlos Gomes e dos versos atirados no rosto de Lulu Bergantim pela professora Andrelina Tupinambá, o novo prefeito de Curralzinho sacou do paletó na vista de todo mundo, arregaçou as mangas e disse:

— Já falaram, já comeram biscoitinhos de araruta e licor de jenipapo. Agora é trabalhar!



sábado, 20 de abril de 2013

MEU IDEAL SERIA ESCREVER... - RUBEM BRAGA


Voz de Rômulo Rostand 

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria - "mas essa história é mesmo muito engraçada!".


sábado, 6 de abril de 2013

UM DIA VOCÊ APRENDE (O MENESTREL) - WILLIAM SHAKESPEARE

Voz de Ricardo Moresi

Um dia você aprende que...


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma lma.  E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos  e presentes não são promessas E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

CASO DO VESTIDO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Voz de Ricardo Moresi

Nossa mãe, o que é aquele vestido, naquele prego?
Minhas filhas, é o vestido de uma dona que passou.
Passou quando, nossa mãe? Era nossa conhecida?
Minhas filhas, boca presa. Vosso pai evém chegando.
Nossa mãe, dizei depressa que vestido é esse vestido.
Minhas filhas, mas o corpo  ficou frio e não o veste.